Equipe de pesquisa desenvolve sistema para recuperar habitats marinhos degradados
Nas últimas décadas, os habitats marinhos naturais, como recifes, estuários e manguezais, entre outros, têm sido ameaçados ambientalmente devido à atividade humana.
Uma das ameaças mais relevantes é a crescente expansão de infraestruturas submarinas e costeiras, onde a construção de portos, quebra-mares e plataformas tem gerado alterações significativas no ecossistema.
A isso se somam a urbanização costeira e a poluição, que têm intensificado fenômenos como a eutrofização, ou seja, o excesso de nutrientes que degrada a qualidade da água e reduz os espaços vitais para muitas espécies. Esses impactos comprometem não apenas a sobrevivência da vida marinha, mas também a resiliência ecológica dos oceanos diante dos efeitos das mudanças climáticas.
Em resposta a essas questões, uma equipe de pesquisa formada pelo Dr. Claudio García, pesquisador da Faculdade de Engenharia e diretor do Laboratório de Biomecânica e Biomateriais do Departamento de Engenharia Mecânica da Usach, em parceria com os pesquisadores Dr. Marco Lardies, da Universidade Adolfo Ibáñez, e Nelson Lagos, da Universidade Santo Tomás, desenvolveram uma laje modular de revestimento para estruturas marinhas, projetada para restaurar habitats degradados.
A proposta consiste em um "sistema adaptável, elaborado com concreto bioaperfeiçoado, que incorpora uma mistura de cimento marinho e carbonato de cálcio (CaCO₃), moldado em formas tridimensionais com diferentes níveis de complexidade estrutural", explica o Dr. Claudio García.
O pesquisador também destaca que "essas lajes apresentam relevos, ranhuras e ondulações, cuja forma, direção e quantidade podem ser personalizadas de acordo com as necessidades do ecossistema local. Além disso, esse design permite replicar a complexidade natural dos habitats marinhos, o que favorece a colonização de espécies e, consequentemente, ajuda a melhorar a biodiversidade e a resiliência do ambiente”.
Por fim, destaca que uma das principais vantagens dessa tecnologia é sua abordagem ecologicamente integrada, que contrasta com as soluções genéricas tradicionais. "Sua adaptabilidade permite restaurar habitats específicos de forma mais efetiva, contribuindo para uma recuperação sustentável dos ecossistemas afetados pela atividade humana", acrescenta o professor.
Atualmente, essa inovação desenvolvida na Usach está em processo de solicitação de patente no Chile, cuja tramitação é apoiada pela Direção de Gestão Tecnológica da Vice-reitoria de Investigação, Inovação e Criação.
Para mais informações sobre o Portfólio de tecnologias da Universidade, acesse o site da Direção de Gestão Tecnológica.
