Projeto promove a inovação alimentícia e farmacêutica através de um composto natural presente nos vegetais

A Faculdade de Engenharia confirma o bom momento que atravessa a geração de pesquisa e desenvolvimento tecnológico após a divulgação dos últimos resultados do Fondef IDeA 2025, concurso que resultou em cinco projetos com pesquisador(a) principal, um com pesquisadora associada e um com diretor adjunto. Um dos projetos é liderado pela Dra. Andrea Mahn Osses, que busca inovação para a indústria alimentícia e farmacêutica.

Observa-se um prato de comida.

No panorama da inovação e do desenvolvimento científico e tecnológico no Chile, o Fundo para a Promoção do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fondef) desempenha um papel fundamental. O principal objetivo é financiar projetos de pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e inovação em setores estratégicos para a economia chilena, promovendo a colaboração entre a academia, o setor empresarial e o governo. Nesse contexto, foi realizado o concurso 2025, sendo  selecionado o projeto liderado pela Dra. Andrea Mahn Osses.

O projeto busca validar a microencapsulação do sulforafano como ingrediente funcional, mas que tenha eficácia comprovada para seu uso na indústria alimentícia.

O sulforafano é um composto presente em vegetais como brócolis, couve-de-bruxelas e couve. Trata-se de um tipo de isotiocianato e é o principal responsável pelos benefícios que o consumo de crucíferas traz para a saúde.

O projeto liderado pela Dra. Mahn representa a conclusão de uma linha de pesquisa, já que essa microencapsulação vem sendo desenvolvida desde 2019, período durante o qual a ideia principal foi concebida em colaboração com dois alunos de mestrado e doutorado, Víctor Zambrano e Yipsy Arozarena.

“Nesse momento, analisamos toda a informação disponível e descobrimos que ainda não havia sido possível estabilizar o sulforafano com um sistema que fosse aplicável aos alimentos e que mantivesse a estabilidade desses produtos. Após esses anos de pesquisa, já contamos com as microcápsulas e estamos avançando no processo em pequena escala”, afirmou a Dra. Mahn.

Por meio da tese desenvolvida por Yipsy Arozarena, foi possível validar a aplicação em alimentos lácteos (iogurte). O objetivo deste projeto Fondef é levar essa validação para um nível semi-produtivo. “Para obtê-lo, fizemos parceria com duas empresas: uma farmacêutica uruguaia que produz extrato de sulforafano e que será nossa fornecedora; o interessante é que essa empresa possui evidências de eficácia no tratamento do autismo, portanto, o aspecto farmacêutico que este projeto poderia envolver é mais do que viável”, indicou a acadêmica. A segunda empresa é uma spin-off da Universidade de Concepción que se dedica à validação de alimentos funcionais. “O interessante é que essa validação é realizada sem testes em animais e utilizando outras análises para essas aplicações”, explicou.

Já foi solicitada uma patente para essa tecnologia, o que dá tranquilidade à equipe e abre a possibilidade de explorar a patente em uma futura spin-off, o que permitirá postular a financiamentos mais grandes. A outra opção é conceder uma licença a uma grande empresa.

Resultados esperados

Esse Fondef, com duração de dois anos, corresponde à primeira etapa, a qual pode ser prolongada caso sejam alcançados alguns resultados intermediários; o principal objetivo é conseguir a ampliação.

Outros resultados esperados incluem a obtenção de colaborações e alianças estratégicas para o modelo de negócio e transferência. Além disso, está a solicitar uma patente internacional, contratos com fornecedores, publicações e a formação de capital humano de alto nível (doutorandos).

Juntamente com a Dra. Mahn, diretora do projeto, participam o Dr. Fernando Ortiz, da Faculdade de Química e Biologia e especialista em doenças neurodegenerativas; o Dr. Rubén Bustos, do Departamento de Engenharia Química e Bioprocessos e especialista em microencapsulação; Yipsy Arozarena e o Dr. Julián Quintero, diretor adjunto.

A Dra. Mahn observa que a equipe de pesquisa já publicou diversos trabalhos sobre o tema e, no WOS, é o único grupo que está publicando sobre a microencapsulação do sulforafano. “Houve avanços em patentes, por isso já contamos com a revisão do estado da arte e somos os que mais avançamos no desenvolvimento científico, pelo que agora queremos avançar para o desenvolvimento tecnológico, que também está adiantado, para depois passar à respectiva comercialização. O projeto é promissor e demonstra que a linha de pesquisa pode crescer desde a pesquisa fundamental até o desenvolvimento tecnológico e a ampliação. Outro antecedente muito importante de nosso projeto é que ele tem paridade de gênero”, acrescentou.

A concessão deste projeto Fondef vem consolidar a missão da FING e da Universidade de Santiago, que é apoiar o desenvolvimento tecnológico e industrial do país. A Faculdade de Engenharia vive um momento de destaque no que diz respeito ao avanço na implantação de tecnologias nos setores industrial, social e público, como demonstram essas concessões.

Categoría