Durante o final da última era do gelo, enormes quantidades de CO2 que anteriormente estavam armazenadas nas profundidades do oceano, afloraram no oceano austral e foram liberadas à atmosfera. Essa foi uma das principais causas do aquecimento global. Porém, suspeitava-se que partes desse carbono armazenado no oceano poderiam ter sido arrastados e transportados diretamente para o norte, à região de afloramento do Pacifico oriental equatorial, pelas AAIW/SAMW. Essas massas de água podem se imaginar como um “túnel oceânico” que liga o oceano austral com as regiões oceânicas equatoriais.
“Até agora, esse vínculo para o transporte de CO2 oceânico não estava claro durante a última deglaciação, já que faltava evidência importante acerca da fonte dessas massas de água intermediárias no Oceano Pacífico Sudeste”, afirma o artigo.
Com esse estudo, o Dr. Cyrus Karas e seus colegas encheram essa lacuna de conhecimento e reconstruíram exaustivamente a evolução deglacial da AAIW/SAMW perto de sua zona de formação no Oceano Pacífico Sudeste em frente à costa do Chile. “As pessoas não pensam no papel importante que tem o oceano na mudança climática atual”, indicou.
Reveladora descoberta para as geociências e a mudança climática
“Esse estudo evidenciou pela primeira vez o maior arrasto deglacial de águas com alto conteúdo de CO2 desde o Oceano Austral para a AAIW/SAMW e para o afloramento equatorial do Pacífico oriental, onde contribuiu à desgaseificação de CO2. Isso inclusive poderia ter contribuído ao aumento global do CO2 atmosférico durante essa época”, acrescentou o acadêmico do Departamento de Engenharia Geoespacial e Ambiental.
Essa descoberta foi altamente valorizada pelos editores da prestigiosa revista Nature Communications, a qual tem um índice de impacto 16.1, sendo a oitava melhor revista a nível mundial no tema, entre 135. A preparação do manuscrito implicou um amplo trabalho, não só na parte escrita, mas também na preparação de mostras do fundo do mar e suas análises com equipamentos sofisticados. “Isto foi possível graças a uma colaboração internacional com o Instituto de Pesquisa Alemão (Centro Helmholtz de Pesquisa Oceânica, GEOMAR). A preparação do manuscrito envolveu várias etapas de revisão de pares. Trata-se de um processo rigoroso no qual revisores internacionais especializados no tema avaliam criticamente o manuscrito e fazem comentários sobre como melhorá-lo”, destacou.
Essa publicação foi realizada no contexto do projeto Fondecyt Regular (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) que lidera o acadêmico. Isto, sem dúvida, representa uma grande conquista para esse projeto e a pesquisa atual que está centrada nas geociências e na mudança climática, tanto do passado como do presente. “Uma publicação em uma revista tão prestigiosa como Nature Communications é uma conquista importante para o Departamento de Engenharia Geoespacial e Ambiental e aporta maior visibilidade à pesquisa que realizamos alí”, explicou.
O Dr. Karas finaliza fazendo um chamado a seus colegas a não desistir na hora de aceder à publicação neste tipo de revistas de alto impacto. “É claro que o processo pode ser longo e a maior parte da pesquisa de você não se vai publicar alí, mas ainda assim é essencial continuar fazendo ciência, inclusive se você se sentir decepcionado algumas vezes”, concluiu o acadêmico.
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