Ganhando impulso para a etapa final do Projeto GWR, os líderes e integrantes das equipes científicas se reuniram de forma presencial e virtual para analisar as conquistas, as experiências melhoráveis e as aprendizagens, com vistas ao encerramento da iniciativa de tratamento e a reutilização das águas cinzas domésticas, que representam mais de 60% do consumo da casa.
O Dr. Esteban Quijada, diretor do GWR, destaca que "o marco final do projeto é a implementação das tecnologias de tratamento e reutilização na Casa Tecno, que é uma casa em escala real que, durante seu funcionamento, gerará águas cinzas que serão tratadas pelo sistema desenvolvido por diferentes equipes de pesquisa multidisciplinares da Usach, da UNAB e da Universidade do Bío-Bío. Essa combinação virtuosa permitirá reutilizar a água e tornar mais eficiente o uso desse recurso vital, que será mais escasso no futuro. Também queremos demonstrar como, a partir dessa reutilização, podemos gerar outros benefícios, como a eficiência energética".
Segundo o professor, "os resultados das diferentes equipes já estão praticamente consolidados, e o próximo passo é a integração tecnológica dos sistemas em condições reais de uma casa.
Por sua vez, o Dr. Julio Romero, pesquisador do Projeto GWR, afirma que a iniciativa "tem sido uma demonstração do que se pode alcançar ao integrar equipes transdisciplinares e trabalhar a partir da arquitetura, da engenharia, da química e até mesmo da comunicação com a comunidade e as autoridades. Demonstra como equipes muito bem coordenadas podem gerar impacto na qualidade de vida das pessoas e no cuidado com o meio ambiente".
O Dr. Romero enfatiza que o objetivo final é que "possamos aplicar esses resultados ao desenvolvimento de comunidades resilientes em termos hídricos e energéticos, em um contexto climático desafiador".
Tratamento de poluentes emergentes e cultivos agrícolas
Entre os resultados mais relevantes do projeto, destaca-se a capacidade de remover poluentes emergentes. Assim explica Felipe Olea, pesquisador pós-doutoral em processos de tratamento de águas cinzas: "Estamos trabalhando com polímeros que possam captar todo esse tipo de poluentes e testando esses polímeros acoplados a diferentes tipos de solventes que possam apresentar melhores propriedades de remoção. Isso também com o objetivo de testar uma intensificação desses processos para melhorar o desempenho no tratamento da água e, no futuro, poder chegar a obter água potável a partir das águas cinzas".
Ele comenta que se trata de poluentes que atualmente não são removidos pelos tratamentos tradicionais, como compostos de protetores solares, fármacos e microplásticos, entre outros, que hoje estão chegando aos rios e, finalmente, ao mar.
Outro estudo destacado envolve testes com águas cinzas tratadas em plantas para a instalação de muros verdes na casa piloto, que hoje inclui cultivos agrícolas como outra oportunidade de reutilização dessas águas. Sobre esse desenvolvimento, Gabriel Illanes, pesquisador do projeto, indica que "temos a grande maioria dos dados experimentais sobre o comportamento das plantas nos muros verdes e estamos iniciando uma nova pesquisa para aplicações agrícolas, na qual poderemos avaliar os resultados de morangos e tomates irrigados com águas cinzas tratadas. Para isso, instalamos uma estufa, onde iremos registrar os resultados desses cultivos quando irrigados com águas tratadas.
Finalmente, a Dra. Camila Burgos, pesquisadora responsável pela construção da casa piloto, afirma que "em alguns meses pretendemos ter os sistemas de recuperação e tratamento de águas cinzas instalados e em operação na casa piloto. Estamos na expectativa de ver essas soluções já em funcionamento nessa residência para comprovar, na prática, os resultados de todos os estudos realizados até o momento no âmbito do projeto".
