Uma importante notícia foi divulgada esta semana pelo Arquivo Patrimonial da Usach ao acervo cultural da nossa Universidade, ao receber o registro audiovisual do documentarista Pablo Salas, que durante a ditadura se tornou o maior arquivista documental desse período sombrio da história nacional.
Fotógrafo, produtor e diretor de documentários, chegou ao Teatro Ictus para se desenvolver na recém-criada produtora audiovisual, após cursar o ensino médio no Instituto Nacional, além dos cursos de Engenharia Civil e Engenharia Mecânica.
Entre 1981 e 1984, dedicou-se a registrar as primeiras revoltas contra o regime militar, destacando-se sua coragem diante das câmeras, arriscando sua vida em inúmeras oportunidades e tornando-se o cineasta por excelência das revoltas contra Augusto Pinochet e os civis da ditadura.
Salas não só trabalhou para meios não oficiais no país, mas também colaborou em produções cinematográficas para a RAI (Itália), ARD (Alemanha) e outros meios de comunicação internacionais de destaque.
Seu trabalho recebeu o reconhecimento de proeminentes cineastas como Patricio Guzmán, que utilizou parte do arquivo de Salas no documentário El Caso Pinochet, além de ter agraciado com o Prêmio Pudú pela Trajetória no Trigésimo Festival de Cinema de Valdivia.
"As fitas que hoje chegam à Universidade de Santiago —sucessora da Universidade Técnica do Estado— trazem muitas lembranças da pior época que nosso país viveu. São tantos e tão variados seus conteúdos que, ao realizar sua transferência, fico impressionado com a quantidade e curioso para ver o que resta dessa época tão triste", afirmou o documentarista.
Da mesma forma, indicou que, desde o fim da ditadura militar, nossa sociedade tem demonstrado um vago interesse pela memória do nosso passado recente, que, por meio de alguns poucos esforços ou comemorações pontuais, volta a ser evocada com insistência.
A época que estamos vivendo, em nível global, está sendo negacionista e, pior ainda, está reivindicando injustiças, abusos e crimes que pensávamos que nunca mais voltariam. Isso torna tão importante resgatar a memória, para surpreender e evidenciar que isso jamais deve se repetir. Hoje, minhas fitas estão melhor cuidadas no Arquivo Patrimonial da Usach, assim como espero que nosso país também passe cuidar da memória. Agradecido pelo enorme trabalho que significa resgatar este pedacinho da memória, que tanto faz falta neste momento", afirmou Salas.
Na mesma linha, Michelle Ribaut Kompatzki, responsável audiovisual do Arquivo Patrimonial da Usach, afirmou que a incorporação do registro de Pablo Salas representa um marco fundamental em nosso compromisso com a preservação, pesquisa e divulgação da memória histórica do país.
"Este acervo, composto por mais de duas mil fitas que documentam de forma direta e corajosa os principais acontecimentos sociais e políticos desde a década de 1980, constitui uma fonte única e de grande valor patrimonial para nossa Universidade e para o Chile", afirmou.
Da mesma forma, Ribaut expressou que trabalhar com esse acervo significa assumir a responsabilidade de preservar não apenas um conjunto de registros, mas também uma visão crítica, comprometida com os direitos humanos, a liberdade de expressão e a memória coletiva.
"No Arquivo, entendemos a importância de preservar esse legado, garantir sua acessibilidade e criar espaços que permitam sua ativação em diálogo com as novas gerações. Buscando fortalecer o uso democrático do patrimônio, sempre em diálogo com seu realizador, integrando esta coleção ao acervo público e abrindo novas possibilidades de pesquisa, criação e educação, tanto em contextos acadêmicos quanto em espaços culturais e comunitários", concluiu a responsável pelo patrimônio cinematográfico de nossa Universidade.
