Estudantes do quinto ano do curso de Relações Internacionais da Universidade de Santiago do Chile (Usach) realizaram seu estágio neste semestre na Casa Memória José Domingo Cañas, no âmbito do programa Estágios e CTT no Território da Vice-reitoria de Vinculação com o Meio (VIME).
A experiência permitiu uma colaboração inédita em torno da elaboração de relatórios alternativos e outras investigações históricas sobre direitos humanos, estágio que coloca os estudantes em um papel central no monitoramento das políticas públicas do Chile, ao mesmo tempo que representou uma instância formativa de grande valor acadêmico, profissional e pessoal para a turma.
Os relatórios alternativos são documentos elaborados por organizações da sociedade civil que contrastam as versões oficiais apresentadas pelos governos diante de organismos internacionais como as Nações Unidas. Nessa ocasião, os e as estudantes abordaram diferentes temas, incluindo educação em direitos humanos, direito à saúde, protestos sociais, criminalização da juventude e processos históricos de asilo político. A Casa Memória tem sido historicamente uma das organizações que mais contribuíram no Chile para a elaboração desse tipo de relatório paralelo, acumulando ampla experiência que hoje enriquece as e os futuros profissionais da Usach.
"Uma das coisas mais importantes dessa iniciativa é que sete estudantes estão sendo formados na elaboração de relatórios alternativos, e uma das organizações especializadas nesse tipo de relatório no Chile é, justamente, a Casa Memória. Para os estudantes é uma grande fonte de aprendizagem e, para o país, é de grande valor que haja mais pessoas que saibam elaborar esses relatórios", afirmou Juanita Gallardo, responsável pela articulação com organizações sociais da VIME.
Isadora Araya, uma das estagiárias que está elaborando relatórios alternativos, descreveu a experiência como transformadora e reconhece na Casa Memória não apenas um espaço de aprendizagem profissional, mas também um lugar onde a história, a ética e a ação política se encontram.
O trabalho da estudante se concentra na elaboração de relatórios alternativos sobre as deficiências estruturais do sistema de saúde no Chile e possíveis violações de direitos humanos. "A Casa Memória me permitiu ver a história com outros olhos e relacioná-la com o curso de uma forma muito humana. Gostei muito do vínculo que tive com a Casa, que me permitiu mostrar essa dimensão mais humana da política e do mundo público em geral", afirmou.
Catalina Villagra é outra estagiária e seu trabalho se concentra na investigação de violações de direitos humanos registradas nas manifestações estudantis de 2011. Ela afirmou que o vínculo com a Casa Memória lhe permitiu conhecer em profundidade "o que envolve a preservação da memória e outros temas de direitos humanos que me interessa investigar".
Marta Cisterna, diretora da Casa Memória, valorizou profundamente a novidade, o compromisso e a diversidade de perspectivas que as e os estudantes trouxeram para o trabalho da organização. Nesse sentido, destacou a interação intergeracional como um elemento enriquecedor e enfatizou que "a memória é construída em coletivo e, portanto, não pode ser construída por apenas uma geração".
"O trabalho das e dos estudantes é um apoio real e concreto nas coisas que nós não podemos fazer porque não temos os equipamentos nem os recursos para fazê-las. Na verdade, a turma trabalhou de uma maneira muito profissional."
A articulação da Usach com a Casa Memória José Domingo Cañas pretende continuar no segundo semestre de 2025. O objetivo é que estudantes de Design Gráfico e de Tradução contribuam para o sítio de memória a partir de suas disciplinas, ao mesmo tempo em que adquirem experiências valiosas para seu futuro profissional.
